Diários de scooter

Não vai tão longe quanto uma motocicleta. Ainda assim, uma scooter pode oferecer uma experiência única, talvez até transcendental e, por que não, revolucionária. Participe deste blog e acompanhe as aventuras e o aprendizado de um piloto de scooter no Rio de Janeiro.

22.5.05

Vanitas vanitatum

Antigamente, artesãos produziam os artigos de uso diário. Técnica e arte eram combinadas para produzir roupas, utensílios e armas. Um belíssimo exemplo disto são as espadas dos samurais como a mostrada abaixo, atribuída a Bisen Osafune Nagamitsu.


Com a Revolução Industrial (iniciada no século XVIII) esta abordagem modificou-se. Através da mecanização da produção, passou a ser possível produzir rapidamente e em grande escala, produtos que antes demandavam dias, semanas ou até mesmo meses para serem concluídos. Pelo lado positivo, as pessoas comuns passaram a ter acesso a artigos antes exclusivos de nobres ou de pessoas ricas. Pelo lado negativo, durante um bom tempo perdeu-se o sentido da beleza nos bens industrializados, sendo relevante somente sua função.

Mesmo com limitação de orçamento e das técnicas de engenharia, alguns projetos tornaram-se clássicos ao resolver um problema de função com uma elegância de artista. Um campeão deste campo foi Ferdinand Porsche, que além dos produtos que receberam seu nome, desenvolveu o fusca. Mesmo de beleza discutível (principalmente pelos padrões atuais), o fusca marcou a vida de qualquer brasileiro com mais de 40 anos. Era o carro mais encontrado nas ruas. Foi o primeiro carro de muitos de nós. Teve até um presidente que conseguiu ressuscitar o fusca, mesmo que tenha acontecido o que seria fácil de se prever : um projeto tão antigo não tinha como sobreviver à competição.

Nesta mesma época surgiram as vespas, tetra-bisavós da scooter atual. Vejam, por exemplo, a criaturinha abaixo :


Tanto o fusca quanto esta vespa são casos clássicos de "Síndrome de Chico"(Buarque) : "Amo tanto e de tanto amar / Acho que ela é bonita".

O que era bom para o século XX já não atende os padrões do século XXI. As pessoas desejam produtos bons e também bonitos. A abordagem passou a ser a de Vinicius (olha ele, marcando presença novamente) : "As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental".

Uma exceção marcante (e com franqueza, incompreensível para mim) é o Ford Ka. O carro é muito, mas muito feio. Não tem nenhuma vantagem com relação aos concorrentes (nem sequer no preço) e ainda assim, continua por aí.

As scooters também evoluíram. Vejam este modelo abaixo, por exemplo.


Seja você um Chico ou um Vinicius, bem-vindo. Escolha o seu modelo e usufrua tudo de bom que uma scooter tem a oferecer.