Scooter, a guardiã da sanidade mental.
A vida em uma cidade grande é enlouquecedora. Ameaças reais e imaginárias, constantemente martelando a consciência e a imaginação tiram qualquer um do sério. Todas as partes do corpo sentem esta pressão constante; pernas, braços, coluna, cabeça e é claro, também a mais sensível de todas : o bolso. A internet comprova isto : pesquise "cidade grande neurose" e veja o que você encontra. Para um exemplo, clique aqui.
O Rio de Janeiro não é diferente. Existem pressões nas esferas municipais, estaduais e federais, que perturbam os seus habitantes da mesma forma que seus congêneres paulistas, novaiorquinos e os habitantes de Tóquio (será que existe um adjetivo específico para quem mora em Tóquio? Toquiano, toquista ou toquioca poderiam ser algumas alternativas).
Pedofilia adquiriu um significado especial para os fluminenses (habitantes do estado do Rio de Janeiro, aí incluídos alguns torcedores do time das Laranjeiras e habitantes da cidade do mesmo nome). Durante vários anos, muitos eleitores desavisados - só posso entender que ninguém os havia avisado - depositaram seus votos nas urnas de garotinhos e garotinhas. Felizmente, alguns destes foram considerados inelegíveis e, pelo menos por enquanto, pedofilia voltou a ser crime hediondo por aqui. Da mesma forma, pedofobia também deixou de ser simplesmente aversão a crianças, tendo passado a significar um pânico latente pelo que cada um dos garotinhos iria fazer em seguida.
É claro que o carioca tem à sua disposição algumas atenuantes que um paulista, por exemplo, não possui. Quando a pressão é muito grande, olhar a praia, o mar, espaços abertos até onde a vista alcança, pode operar milagres. Muito melhor, sem dúvida, que estar cercado de prédios por todos os lados.
Você poderia perguntar o que tudo isto tem a ver com a scooter? O trânsito é um dos maiores desencadeadores de crises neuróticas e psicóticas jamais documentados. Você lembra do filme "Dia de Fúria"? Nele, o personagem de Michael Douglas pira completamente, no meio de um engarrafamento. Arma-se até os dentes e sai barbarizando a cidade. Se você não lembra, alugue ou compre. Vale a pena.
Eu moro no Leblon e trabalho em Botafogo. O meu percurso diário é este que você vê no desenho abaixo.
São aproximadamente 6 quilômetros. De automóvel, em um dia sem trânsito chega-se em 12 minutos. O mesmo tempo que demora para ir de scooter. O problema é que não existe esta fantasia : "dia sem trânsito". Em um dia excepcional quem vai de carro leva 25 minutos; em um dia normal demora 40 minutos. Isto para ir. Para voltar é pior. Quem se dispõe a enfrentar este tempo todo dentro de um carro, diariamente, não pode permanecer são. Há duas semanas atrás, caiu uma árvore em São Conrado, interrompendo completamente o trânsito na auto estrada Lagoa - Barra (aquele rabicho branco no lado esquerdo do mapa). Naquele dia, foram mais de duas horas para os pobres condutores de veículos de quatro rodas.
Com a scooter isto não acontece. Com árvore ou sem árvore, a velocidade média de deslocamento é aproximadamente a mesma. Só não se pode dizer que não tem tempo ruim porque em caso de tempo ruim, não tem jeito. Ou troque de veículo ou relaxe, adote uma postura completamente zen e deixe que a chuva escorra por dentro da camisa, da calça, do sapato ...

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