O poder e a scooter II
Vamos levar para o lado pessoal. O mínimo que eu espero de um político que tenha recebido meu voto é que permaneça no cargo até o fim do mandato e permaneça no mesmo partido. Não peço que seja honesto e trabalhe, porque isto se espera de todas as pessoas. Parece fazer sentido, não é? No entanto, mesmo figuras impolutas e acima de qualquer suspeita discordam de mim.
Por exemplo, na eleição de 2002 votei na dra. Denise Frossard para Deputada Federal. Ela gostaria de se candidatar à Prefeitura do Rio de Janeiro na eleiçao de 2002, encurtando em dois anos o mandato que os eleitores confiaram a ela. Não conseguindo que seu partido lhe abrisse este espaço, mudou de partido. Continuo confiando em sua honestidade, princípios e propósitos, mas discordo de sua coerência. Ela deve refazer suas contas. Pelo menos um voto, já perdeu.
Em outras circunstâncias, o mandato é encurtado contra a vontade do ocupante do cargo. Na segunda metade do século passado, tivemos dois presidentes que não conseguiram concluir o mandato devido às circunstâncias.
Um deles foi o presidente João Goulart. Foi derrubado no Golpe Militar de 1964. À propósito, é tão bom poder dar o nome certo para as coisas, mas sobre o "politicamente correto" falaremos outro dia. Durante muito tempo, tentaram nos convencer que se tratava de uma revolução (que precisa ter base popular para merecer o nome).
Aconteceu algo semelhante comigo. Eu tive uma DT180 de 1983 a 1986, substituída por outra DT180, que permaneceu comigo de 1986 a 1990. Veja a foto da primeira abaixo.
Quase na conclusão do segundo mandato, eu e a Patricia (minha mulher) resolvemos ir ao cinema em um domingo à tarde. O cinema era no Shopping da Gávea e deixamos a motocicleta em uma das vagas desenhadas em frente ao Shopping. Ao sairmos, descobrimos que havíamos sido derrubados; a motocicleta não estava mais lá. Por sorte, não tivemos que enfrentar as armas. Foi o início dos meus Anos de Chumbo, em que fiquei à mercê da ditadura do trânsito e dos flanelinhas.
Outro presidente que teve o seu mandato interrompido foi Fernando Collor. Devido ao acúmulo de denúncias foi aberto um processo de impeachment e, para não ser impedido, renunciou ao cargo.
Comigo aconteceu pior. Eu fui cassado sem direito a defesa. O caso foi o seguinte. Após a abertura proporcionada pelo tio Juca para a aceitação da família aos veículos de duas rodas, iniciei minha campanha. Com 15 anos na época, consegui convencer os eleitores (meu pai e minha mãe), que eu seria responsável comandando uma Katia. Pouco tempo depois, o marido da minha irmã, com 24 anos, aderiu a uma CB125. Olha ela aí embaixo.
Passávamos a temporada de verão em uma cidade praiana do Paraná : Guaratuba. Como a cidade era pequena e pouco movimentada durante a semana, pequenas infidelidades partidárias eram toleradas pelas autoridades locais. Traduzindo, os menores de idade podiam andar de motocicleta, obviamente sem carteira. Em um sábado à noite, havia um baile no Iate Clube e eu queria aparecer "cool". Fiz-me de desentendido e saí com a CB, mesmo contra a orientação da liderança do partido. O resultado foi que no despertar do dia seguinte - mesmo não tendo acontecido nada de errado - a chave da CB tinha sumido do seu lugar. Meu mandato foi suspenso por duas semanas.
Para encerrar, um agradecimento especial à Wikipedia que propiciou as explicações sobre as figuras e fatos históricos, com exceçao da dra. Denise Frossard que ainda não consta por lá.

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