O poder e a scooter I
Existem diversos típos de políticos. Alguns iniciam sua carreira e se mantém no mesmo cargo por muitas e muitas eleições. Outros começam em um cargo local, evoluem para um regional e finalmente, buscam uma posição de projeção nacional.
Qualquer uma destas escolhas pode ou não estar correta. Parênteses. Correta do ponto de vista de quem? Para o candidato, está correta se ele conseguir se eleger; para os eleitores, está correta se ele tiver um bom desempenho. Parênteses dentro dos parênteses. O que é um bom desempenho? Caramba, está ficando complicado. Para facilitar, podemos combinar que esta é uma questão que só cabe ser julgada pelo eleitor do próprio candidato. Desta forma, um desempenho passa a ser bom se ele fizer o que o seu eleitor esperava dele. Concluímos que se ele se reeleger, significa que teve um bom desempenho. Então um bom político é o que consegue se reeleger. Discutível, no mínimo, mas agora fica assim mesmo.
"Tia" Nely pertence ao primeiro grupo. O tia está entre parênteses porque ela é na verdade grande amiga dos meus pais há mais de 50 anos. Eu a conheço desta forma desde que aprendi a falar. Vereadora de Curitiba desde 1988, foi reeleita em 1992, 1996, 2000 e novamente em 2004. Seus eleitores devem estar gostando do trabalho dela.
Um político um pouco mais conhecido de todos pertence à outra categoria. Começou como líder sindical e conseguiu uma série de vitórias para a categoria. Ótimo, poderia se candidatar de novo a líder sindical e de fato, conseguiu ser o presidente do sindicato por duas vezes. Em algum momento, ele preferiu se candidatar e foi eleito deputado federal. Após apenas uma legislatura, passou a candidatar-se a presidente e foi derrotado 3 vezes. Opa, parece que algo não está bom aí. Ainda assim, ele tenta uma quarta vez, e após mudar significativamente a abordagem, consegue se eleger. Toda esta história pode ser conferida no site de sua Excelência o Presidente Lula (respeito nunca é demais). E agora, será que ele consegue ser reeleito? Cabe àqueles que votaram nele julgar. A nós outros, só nos resta a esperança que eles percebam que não está dando certo.
Da mesma forma, existem pessoas que trafegam pelo universo das duas rodas mudando de escolha, em geral para motocicletas de potência cada vez maior, enquanto outros permanecem mantendo-se fiel à sua escolha inicial.
O recordista do primeiro grupo foi o meu tio Juca (este é tio de verdade). Na década de 70, ele dirigia uma companhia cinematográfica que produzia cinejornais e anúncios para a televisão. Eles foram contratados para fazer o comercial da Garelli, que estava lançando uma linha de ciclomotores no Brasil. Olha a foto da figura (o ciclomotor e não o tio).
A máquina tinha cara de bicicleta, nome de bicicleta (Katia) e até mesmo pedais. Você tinha que pedalar apertando uma alavanca e, quando soltava a alavanca o motor pegava (às vezes). Pois bem, após as filmagens, seis Katias ficaram na garagem da casa do tio Juca. Os filhos dele (Sérgio e Claudio), eu e meu primo Gilberto aproveitamos para rodar o quanto pudemos, até que fossem devolvidas. Tendo sentido o gostinho, tio Juca que sempre tinha sido contra os veículos de duas rodas comprou uma cinquentinha.Ao longo do mês seguinte, ele comprou uma 200, uma 350 usada, uma 360 e chegou até uma CB500 Four. Esta última é um veículo clássico, tão especial que 30 anos depois, possui site próprio. Confira.
Contando com as duas Garelli que ficaram como parte do pagamento, em um mês, a garagem passou a ser decorada por sete motocicletas. Vá lá, cinco motocicletas e duas bicicletas motorizadas.
(continua...)

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