E a família?
As famílias eram tradicionalmente clssificadas em dois tipos : nuclear (pai, mãe e filhos) e ampla (engloba tios, avós e agregados). Cada um sabia o seu papel, o que era esperado de si e o que podia esperar dos demais. Sob alguns aspectos funcionava muito bem. Como se trata de um modelo simples, os menores têm mais facilidade de entendê-lo, aceitá-lo e sentir-se confortável com ele. Por outro lado, foi o resultado de anos de doutrinação, de certos e errados, que faziam os desvios serem difíceis de aceitar e tratar.
Uma família nuclear está cada vez mais rara. No Rio de Janeiro, o mais comum é encontrar o modelo que recebeu o nome de família composta. Pai, madrasta (ou mãe, padrasto), filhos do primeiro casamento de cada um e os filhos que eles tiveram em comum. Para os que estão dentro já é difícil saber quem é quem; para quem está de fora é impossível.
Sou o pai de uma família das antigas. Quando precisam ser levados para um lado e para o outro, meus filhos gostam que seja assim. Eles são apenas dois e nós também. Fica tudo mais fácil. Por outro lado, os amigos tem dois quartos - um na casa de cada um dos pais biológicos - menos supervisão (com cinco filhos vivendo juntos, cada um tem mais liberdade para "aprontar") e assim por diante.
No ano passado, precisei viajar próximo do aniversário da Joana. Combinamos que haveria uma pequena comemoração para os amigos do prédio em que moramos na sexta-feira e que todos iríamos jantar juntos no dia do aniversário (a terça-feira seguinte). Na festa, nenhum dos vizinhos perguntou por mim. Imagino que todos ficaram com medo de ouvir que havíamos nos separado. Foi bastante curioso.
Mas tem coisas que não mudam. Pais e padrastos gostam de duas rodas; mães e madrastas não. Quando eu e meu pai aparecemos em casa com a Katia (a Garelli, lembra?), minha mãe reagiu com muita tranquilidade : "Vou queimar esta coisa". Ela nunca cumpriu promessas deste tipo, mas para garantir eu sempre mantive uma distância segura entre as duas.

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