Diários de scooter

Não vai tão longe quanto uma motocicleta. Ainda assim, uma scooter pode oferecer uma experiência única, talvez até transcendental e, por que não, revolucionária. Participe deste blog e acompanhe as aventuras e o aprendizado de um piloto de scooter no Rio de Janeiro.

25.6.05

Responsabilidade

Uma das situações que eu considero mais curiosas é a questão de salvar alguém ou deixá-lo morrer. Para os conceitos ocidentais, não existe dilema algum. Temos a obrigação de salvar toda e qualquer vida, não tendo o direito de nos omitir. Para os orientais, este conceito não é tão cristalino assim. O salvador passa a ser responsável por todos os atos futuros do que foi salvo. Este não poderia vir a cometer um crime, caso tivesse sido deixado morrer. O que foi salvo passa a ter uma dívida de honra com o seu salvador (mais até do que uma dívida de gratidão). Deve levar uma vida honrada, para que o seu salvamento tenha tido valor.

Este blog estava se afogando. Comecei-o para me divertir e extravasar a vontade de escrever algo. No entanto, por não ter leitores, diminui o ritmo e já estava quase o abandonando. De repente, o Armando salvou-o. Quando ele postou dois comentários, o "Diários de Scooter" voltou a ter razão para viver. Não conheço o Armando, mas agradeço muito.

Agora, você que vier a ler este blog após 24 de junho de 2004, já sabe. A responsabilidade não é só minha, mas também é do Armando. Espero honrá-lo.

Em um dos comentários, o Armando sugere que eu dê ao Gustavo o livro "A Noite dos Tempos" cujo ator ele não lembra. O autor chma-se René Barjavel. E um francês, nascido em 1911 e falecido em 1985. Além do livro citado (ótimo mesmo; endosso a indicação do Armando), sua bibliografia contempla mais 27 obras. Pelo menos, é isto que nos diz a Wikipedia. O que nos leva de volta à postagem de outro dia. Realmente, encontra-se tudo a respeito de tudo na Internet.

O PS do Armando também é bastante relevante. Ele tem razão que é chato exigir identificação e senha para que alguém poste um comentário. É possível até que haja mais leitores do "Diários de Scooter" e eu não saiba, porque você teve preguiça de se identificar para poder postar. Por outro lado, a alternativa seria permitir que qualquer um colocasse qualquer coisa - possivelmente até ofensiva - protegido pelo anonimato.

Eu sou a favor da liberdade. Em especial, sou plenamente favorável à liberdade de expressão. Mas, liberdade requer responsabilidade. A responsabilidade que só é possível se atribuir a quem se identifica.

Portnto, se você é como o Armando, uma pessoa que tem conteúdo, deixe a preguiça de lado. Contribua. Torne-se também responsável pelo "Diários de Scooter".

13.6.05

Quem procura, acha.

As pessoas lêem cada vez menos. Esta é uma falsa verdade difundida como verdade absoluta. Para fundamentá-la despejam-se estatísticas : número de livros produzidos por ano; número de livros lidos per capita; e por aí vai. No site do Ministério da Cultura existe um texto de 1998, escrito pelo Secretário de Política Cultural do Ministério, senhor Ottaviano De Fiore di Cropani, sobre este assunto. Clique aqui. O texto é muuuuuuuiiiito chato. Se todos escrevessem desta forma, logo a leitura seria uma arte extinta.

Por que é uma falsa verdade? Porque o número de alfabetizados aumentou significativamente, estando próximo de 100% na nova geração. Além disto, nem só de livros se sustenta a leitura. Atualmente, existe um conjunto muito mais variado de publicações. As alternativas aumentaram, permitindo que gostos variados sejam atendidos.

A quem serve divulgar informação falsa? Àqueles que se beneficiam das "soluções" para o "problema". O governo, por exemplo, lançou com muito estardalhaço o Plano Nacional do Livro e Leitura, também chamado de "Fome de Livro". Parece ótimo, se pelo menos se sustentasse em um trabalho sério. Para organizá-lo, foi contratada a PUC-Rio em março de 2004. A PUC fez um trabalho maravilhoso e entregou tudo o que foi encomendado no prazo (30 dias). Toda a equipe que trabalhou duro para isto, está até agora esperando para ver a cor da remuneração do seu trabalho. Resultado, muita notinha em jornal (material para ser lido) e nada mais sendo feito.

Especificamente no caso de livros, existe apenas uma solução : livros interessantes. Pode ser porque o autor é bom, como o Jô Soares, por exemplo. Um escritor MAIÚSCULO. Todos os livros dele são ótimos. Pode ser porque o assunto gera curiosidade, como "O Código Da Vinci". Ajuda se autores e editores entenderem que as pessoas se interessam pelo conteúdo e não pelo papel.

Dois fenômenos atacam a leitura em papel : a midia digital e a Internet. Não estou dizendo (ainda) que o e-book irá substituir o livro impresso. Mas, para consultas já enterraram o meio tradicional inescapavelmente.

Você encontra tudo a respeito de tudo na Internet. Faça o teste. Se você procurar qualquer espécie de abobrinha, o Google retorna 615 alternativas. Receita de abobrinha? 7.500 alternativas. E sendo bem genérico, procurando abobrinha, retornam 35.200 sites. Você encontra 452 imagens sobre abobrinha, como esta abaixo, que se chama "falando abobrinha".


Falando sério. O Gustavo precisava fazer um trabalho sobre animais em extinção. Mas, não era, tipo assim, um trabalho genérico. Era um trabalho muito específico, em que ele precisava pesquisar sobre a Mecistogaster Pronoti. Uma libélula que faz parte da lista oficial dos animais em extinção no Brasil.

Suponha que eu ainda tivesse a Barsa ou a Enciclopédia Britânica, que até recentemente ainda decoravam minhas estantes. Você acha que haveria algum verbete sobre este bicho específico? Mesmo que houvesse, e o trabalho para localizar? No Cadê, você encontra 370 artigos com Mecistogaster, destes 57 em português. Com isto, obtivemos toda a classificação zoológica, cadeia alimentar, morfologia e ambiente ecológico. Para as curiosidades foi ainda mais fácil. Bastou digitar libélula. Foram 54.800 páginas em português. Descobrimos que a libélula bate as asas 22 vezes por segundo, que, proporcionalmente ao resto do bicho, tem os maiores olhos do reino animal e que o projeto número 19 de Santos Dumont, foi batizado de "Demoiselle" (libélula em francês) pelo povo de Paris, pela sua semelhança com o bichinho.

Se você chegou até aqui, é uma prova viva que as pessoas, ao contrário do que diz a 1a frase deste texto, estão lendo cada vez mais. Obrigado e volte sempre.

8.6.05

Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante...

"Há muito tempo atrás?" é o que o Gustavo sempre me pergunta. Como pode ser isto, se ao invés de dinossauros, o filme trata de uma civilização avançadíssima, com naves espaciais, sabres de luz e o comando da Força?

Eu explico que nós somos os descendentes daquela civilização e que tivemos que começar tudo de novo. Isto está claramente explicado na trilogia secreta; os episódios 7, 8 e 9.

No episódio 7 - A Reconstrução da República, Luke lidera os agora não mais rebeldes, no re-estabelecimento de uma ordem democrática na galáxia. O Episódio 8 - O Desequilíbrio da Força mostra que esta tarefa é impossível porque sempre surgem forças interessadas em tomar o poder para si e desenvolver a galáxia do seu jeito. Finalmente, no Episódio 9 - O Caminho do Futuro, o último Jedi (Luke) morre após fazer com que toda a tecnologia de integração galáctica seja destruída e cada grupo tenha a oportunidade de começar de novo. Aos humanóides, foi destinado o Planeta Terra. Aqui estamos nós.

Se você ainda não viu, corra na Blockbuster. Os filmes são melhores que os Episódios 1, 2 e 3, mas não tão bons quanto 4,5 e 6. Não aceite "não existe" como resposta. A senha para que o balconista aceite te entregar os filmes é "Que a Força esteja conosco", seguida pela saudação Vulcana do sr. Spock. Este último detalhe é muito importante. É um despiste, que serve para mostrar que você REALMENTE sabe do que está falando.

Se você não conseguir, não tem problema. A scooter ajuda você a sentir-se um ser de outra galáxia, com poderes especiais. Basta subir a Mena Barreto, às 7 horas da noite em um dia de semana típico. Enquanto os simples mortais apodrecem no engarrafamento, você acelera sua nave espacial e ruma "Ao Infinito e Além".

7.6.05

E a família?

As famílias eram tradicionalmente clssificadas em dois tipos : nuclear (pai, mãe e filhos) e ampla (engloba tios, avós e agregados). Cada um sabia o seu papel, o que era esperado de si e o que podia esperar dos demais. Sob alguns aspectos funcionava muito bem. Como se trata de um modelo simples, os menores têm mais facilidade de entendê-lo, aceitá-lo e sentir-se confortável com ele. Por outro lado, foi o resultado de anos de doutrinação, de certos e errados, que faziam os desvios serem difíceis de aceitar e tratar.

Uma família nuclear está cada vez mais rara. No Rio de Janeiro, o mais comum é encontrar o modelo que recebeu o nome de família composta. Pai, madrasta (ou mãe, padrasto), filhos do primeiro casamento de cada um e os filhos que eles tiveram em comum. Para os que estão dentro já é difícil saber quem é quem; para quem está de fora é impossível.

Sou o pai de uma família das antigas. Quando precisam ser levados para um lado e para o outro, meus filhos gostam que seja assim. Eles são apenas dois e nós também. Fica tudo mais fácil. Por outro lado, os amigos tem dois quartos - um na casa de cada um dos pais biológicos - menos supervisão (com cinco filhos vivendo juntos, cada um tem mais liberdade para "aprontar") e assim por diante.

No ano passado, precisei viajar próximo do aniversário da Joana. Combinamos que haveria uma pequena comemoração para os amigos do prédio em que moramos na sexta-feira e que todos iríamos jantar juntos no dia do aniversário (a terça-feira seguinte). Na festa, nenhum dos vizinhos perguntou por mim. Imagino que todos ficaram com medo de ouvir que havíamos nos separado. Foi bastante curioso.

Mas tem coisas que não mudam. Pais e padrastos gostam de duas rodas; mães e madrastas não. Quando eu e meu pai aparecemos em casa com a Katia (a Garelli, lembra?), minha mãe reagiu com muita tranquilidade : "Vou queimar esta coisa". Ela nunca cumpriu promessas deste tipo, mas para garantir eu sempre mantive uma distância segura entre as duas.

6.6.05

Potência. Quem precisa disto?

Uma máquina poderosa impressiona. Estar no volante de uma Ferrari conversível pelas curvas do Principado de Mônaco remete às melhores cenas dos filmes de 007.

"Senhor ...?" pergunta o bandidão ou bandidona; "Bond. James Bond." Responde você. Espere um pouco. Esta cena está mais para o Elefantástico. Para quem não lembra, era um elefante super-herói que se disfarçava com apetrechos mínimos. Só mesmo em desenhos animados, você não receonhece um elefante azul porque ele coloca uma peruca. Confira a simpatia do herói na foto abaixo.


Se for uma bandidona, a cena seguinte se passa em meio a lençois. E novamente, a potência adquire importância. Em vários filmes, a bandidona mudou de time após uma noite de amor. James Bond seria um garoto propaganda para o Viagra tão bom quanto o Pelé. Aliás, esta é uma propaganda muito bem bolada. O Pelé diz que "se tivesse" problemas, falaria com o médico. Ou seja, ele faz tudo o que faz, sem precisar de ajuda.

A Joana me pediu para levá-la na casa da Barretão. Adolescentes, como foi muito bem retratado pela Heloísa Perissé com a Tati, tem maneiras muito peculiares de se chamarem. "Vamos ao cinema", ela diz. "Quem vai, pergunta a mãe". "Eu a Lá, a Bê, a Rô e a Maria Teresa Pereira do Amaral". Por que não Maitê? Por que algumas ganham estes tratamentos? Por que uma menina de 1,50m, magra e delicada é a Barretão? A Barretão mora no Jardim Botânico, no alto de uma ladeira. Para chegar à casa dela tem que passar pelo trânsito da Lagoa. Dilema : o que é pior; trânsito no carro ou ladeira na scooter? Opto pela scooter e agradeço. Faço em 10 minutos, um trecho que me tomaria pelo menos 50 se estivesse de carro. Na hora de subir, o sentimento de culpa é inevitável. A coitadinha bufa e sofre, mas acabamos chegando lá. Espero que ela me perdoe.

5.6.05

Mudanças

Quando o assunto é estabilidade x mudanças sobram lugares-comuns. Frases feitas, ditados, conselhos (se fossem bons seriam vendidos e não dados) abundam neste mister.

A literatura tem até uma categoria especial chamada Auto-ajuda. Não é ficção e nem não-ficção. Trata-se da mais pura metafísica, em que são encontrados vários títulos sobre o assunto mudanças e como lidar com elas. "Quem mexeu no meu queijo?" trata da atitude com relação a mudanças. Na esteira do sucesso da aventura dos ratinhos e duendes surgiu "Quem comeu o meu hamburguer?". Imagino que o próximo seja "Quem tomou o meu refrigerante?". Se ninguém pensou nisto antes, corra. Quem sabe você muda sua vida para melhor. Porque sem dúvida, escrever um livro de auto-ajuda é uma excelente forma de se auto ajudar.

Não existe no entanto, livro de auto-ajuda que trate de uma verdadeira mudança. Quero dizer, mudar de casa ou apartamento. Minha mãe diz que deveríamos nos mudar a cada 5 anos. Assim não juntaríamos tantas bugigangas. Eu resolvi me mudar depois de 19 anos morando no mesmo lugar. Comecei sozinho, casei e tive dois filhos. Eles, por sua vez, nasceram e de crianças tornaram-se adolescentes. Mas as Barbies e os carrinhos continua(va)m por lá.

Vamos auto-ajudar-nos:

Capítulo 1 - A mudança

Passo 1 - Antes de começar a mudança, olhe tudo o que você tem e jogue fora o que puder. Seja impiedoso e sincero consigo mesmo. A camisa 10 do Flamengo já não é mais o motivo de orgulho do tempo em que o Zico era o titular (se a camisa for autografada, o caso é outro. Venda!).

Passo 2 - Contrate uma empresa de mudanças. Mesmo que você mude para o prédio ao lado (foi este o meu caso). Acredite em mim. Você não quer embalar todos os seus copos, pratos, pires e demais utensílios de cozinha um a um.

Passo 3 - Antes de guardar, repita o passo 1. Seja mais impiedoso e sincero ainda. Sabe aquela máquina fotográfica Nikon semi-profissional com motor-drive e que usa filme de 35 mm, comprada em 1983 e que ainda funciona perfeitamente? Você nunca mais vai usar. Se valer algo venda ou doe; senão jogue fora.

Capítulo 2 - A casa nova

É muito diferente da antiga. Você vai demorar para se acostumar. Por mais que você tenha planejado cada cantinho, ainda assim você vai esquecer o que foi colocado aonde. Arme-se de paciência e procure. Com certeza, não importa o que você esteja procurando, estará no último lugar em que você procurar (até porque se você achar, você vai parar de procurar).

Pior ainda, você não vai lembrar sequer onde você está e para onde quer ir. O formato e tamanho do quarto do Gustavo são muito parecidos com o quarto da casa antiga. Como a mobília era nova, fizemos transplante e o quarto dele ficou exatamente como era antes. A única diferença é que o quarto novo fica no final do corredor com uma parede do lado direito, exatamente para onde ele virava quando acordava e saía do quarto. Na primeira manhã, ele levantou, saiu do quarto, virou à direita e bateu com a cara na parede.

Capítulo 3 - Luz, gás, tv a cabo, internet, bancos e cartões de crédito

Tudo funciona. Por telefone, você resolve tudo. A única exceção e que por isto vai para um capítulo à parte é o telefone.

Capítulo 4 - Telefone

A Telemar não funciona. Quero mudar de endereço e retirar o DVI. Ligo para a Telemar e peço o serviço. Não pode. Tem que pedir um e depois que estiver pronto, devo ligar novamente e pedir o outro.

Penso que o melhor é pedir primeiro a retirada do DVI. Quando for instalar na casa nova, já instala o que eu quero. Grave erro. As 72 horas prometidas originalmente transformaram-se em 10 dias. E ainda não foi concluído.

Pior é que agora já estou na casa nova e sem telefone, para poder ligar e pedir o outro serviço. A atendente me diz que posso fazer pelo celular. Mentira. Só se o celular fosse da OI. Fico arrepiado só de pensar em ter mais serviços desta "empresa".

Capítulo 5 - Atitude mental

Prepare-se. Você ficará com sua vida em estado de suspensão até que o processo esteja totalmente concluído. Não marque nada. Você nunca sabe quando precisará dar uma corrida em casa, porque chegou de surpresa o instalador do fogão, da máquina de lavar, do varal, do armário e de qualquer outra coisa que você tenha querido mudar. A scooter ajuda muito nestas horas. Para cima e para baixo, sem trânsito. Só não serve para transportar nada.

Se você for mulher, pior ainda. TPM é brincadeira perto de uma TDM (tensão de mudança). São os anos na casa antiga e tudo o que representou. Buá. As fotos que estavam guardadas. Buá de novo. A cozinha que é diferente. Buá Buá.

Mesmo que a casa seja maior, melhor, mais bonita, feita do jeito que você queria e que levou quase nove meses par ficar pronta. Buuuuuuáááááááááá!!!!!!

Epílogo - A vida continua

E assim que tudo estiver pronto, volte a escrever no seu blog. Seus três leitores estarão preocupados com a sua ausência.

25.5.05

Conflito de gerações

Até o fim do século XIX, as pessoas nasciam, viviam e morriam em um mundo que era essencialmente igual, desde o nascimento até a morte. Existia um conjunto de instituições bem estabelecidas e cada geração substituia a anterior, representando seus papéis sucessivos de filhos, pais e avós. As mudanças tecnológicas aconteciam lentamente e seus reflexos culturais levavam tempo para serem absorvidos.

Um exemplo disto é a invenção de Gutemberg, a prensa de tipos móveis. Hoje em dia considera-se ponto pacífico que este invento trouxe um grande avanço para a humanidade. Teve a capacidade de converter os povos europeus de analfabetos em pessoas que passaram a considerar a cultura relevante em suas vidas. À época, foi considerado um artefato subversivo, por ameaçar a hegemonia da produção cultural que se encontrava nas mãos da Igreja Católica. E quem pensava assim estava certo. Ainda assim, várias gerações foram necessárias para que este efeito acontecesse.

Atualmente, a velocidade da evolução da tecnologia e de sua adoção é estonteante. Do momento da criação e divulgação de um produto até ser considerado obsoleto passam-se às vezes, poucos anos. Um grande exemplo disto é o aparelho de fax. Não que já tenha sido abandonado. Mas, passou a ser adotado pelas empresas em meados de 1980, entrou nas casas das pessoas por volta de 1995 e já está amplamente substituído pelo correio eletrônico. Não é a mesma coisa? Sem dúvida. O correio eletrônico é muito melhor. Com uma "multifuncional" você pode escanear um documento, anexá-lo a um email e enviá-lo, com muito maior rapidez, certeza de chegar e, dependendo do destino, a um custo várias vezes menor do que optando pelo fax.

Em outros casos, como o do Videolaser é muito pior. O produto foi substituído por outro, antes mesmo de conseguir se firmar. O VideoLaser foi simplesmente atropelado pelo DVD e deixado para apodrecer na beira da estrada. Pesquise videolaser em algum mecanismo de busca na Internet; você encontrará 215 referências. Faça a mesma coisa com DVD; o retorno é de 339.000.000. Isto mesmo, 339 milhões contra 215.

E dentro de casa? Não é de hoje que os pais são considerados obsoletos. Os avós foram colegas de turma de Tutancâmon; só esqueceram de ser embalsamados. Nos anos 70, uma música já dizia "Não confie em ninguém com mais de 30".

Eu tenho me divertido muito embaralhando a cabeça dos meus filhos, invadindo espaços que eles pensam que estariam reservados para eles e seus amigos. Foi a minha opção para atravessar bem a crise da meia idade. Ter uma scooter e um blog são alguns exemplos desta atitude.

A Joana com 14 anos, parece ser a mais afetada por isto. Nossa convivência parece saída do "Retorno da múmia". Não que seja um filme de terror; nós nos relacionamos bastante bem na maioria das vezes. Mas ela me olha com um misto de encanto e espanto a cada nova traquinagem. O comentário que ela postou neste blog diz tudo : "heheee.. cara pai.. o ke deu em vc ?! agora com um blogg.. pff.. heheee.. minhas amigas vao pensah o kee.. um pai ke surfah e agora tem um bloggg !"